No post de hoje, o Blog do Sociofilo apresenta conferência seguida de debate proferida por Gabriel Peters no Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da Universidade de Vila Velha (PPGSP/UVV).

A conferência arrisca uma interpretação sociológica da suposta “pandemia de depressão” que assola a contemporaneidade. Os mal-estares psíquicos comumente descritos como experiências depressivas são compreendidos à luz das formas de subjetividade produzidas ou, pelo menos, encorajadas pela modernidade tardia. Com base no retrato sócio-histórico do “novo espírito do capitalismo” formulado por Boltanski e Chiapello, o texto defende que os atributos de iniciativa, empreendedorismo e adaptabilidade tornaram-se imperativos da individualidade contemporânea não somente no mundo do trabalho, mas também em diversos outros domínios existenciais, tais como o cuidado com o corpo e as relações erótico-afetivas. Sem desconsiderar a inflação de diagnósticos psiquiátricos como parte das causas por trás da alegada pandemia de depressão na atualidade, o trabalho sustenta que as formas muito reais de sofrimento psíquico classificadas nesses termos são a moeda reversa, por assim dizer, de demandas sistêmicas pela autorrealização individual: o colapso depressivo da iniciativa e a ausência de “projetos” substituem o “empreendedorismo de si”; a interrupção do movimento sobrepuja a adaptabilidade flexível do self a uma sociedade de mudanças aceleradas; e a experiência do isolamento existencial substitui a esperada comunicabilidade do sujeito-trabalhador contemporâneo como infatigável networker. O trabalho conclui com uma reflexão sobre os limites que a civilização contemporânea coloca à “ecologia psíquica” e à “economia energética” dos indivíduos nela imersos.

Segue abaixo o vídeo da conferência: 

00:00 – 02:40: Apresentação – Diogo Corrêa (UVV)
2:41 – 08:58: Sociologia da depressão. Pandemia de sofrimento ou inflação de diagnósticos?
08:59 – 15:20: Modernidade tardia e mal-estar na individualização
15:21 – 20:09: O novo espírito do capitalismo
20:10 – 28:03: O modelo da subjetividade empreendedora
28:03 – 44:29: O reverso da moeda: a subjetividade em depressão
44:30 – Final: Para uma política da depressão?

E o vídeo do debate: