Público, Socialização e Politização: Reler John Dewey a luz de George Herbert Mead (Parte 1), por Daniel Cefaï

Publics.jpgFonte: https://heidicohen.com/what-is-pr/

Por Daniel Cefaï[1]
Tradução: Luana Martins[2]

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Insistiu-se muito, na tradição sociológica de Chicago, no trabalho de definição e de controle de situações problemáticas, e sobre o processo social que conduz da experimentação de uma perturbação à sua identificação e a seu tratamento. O princípio de definição da situação, em sua formulação famosa: “Se os homens definem as situações como reais, elas são reais em suas consequências”[3] foi mais tarde renomeado teorema de Thomas. A teoria da investigação social de John Dewey formulou esse princípio em um sentido pragmatista: uma situação é pensada como problemática quando ela organiza a atividade coletiva de seus participantes, ao passo que eles se esforçam para determinar, com o objetivo de controlá-la, as condições de sua chegada, as fases de seu desenvolvimento e as consequências que a seguem.[4] A atividade coletiva que se forma em torno de uma situação problemática foi analisada, já que envolve pessoas que não são diretamente afetadas, em termos de constituição de um público em torno de um problema público[5]. Neste capítulo, propõe-se colocar à prova algumas ideias de Mead para compreender aquilo que se passa, em termos de experiência pública, nesse processo social específico que é o processo de publicização. Não será uma confrontação sistemática entre as abordagens de Mead e de Dewey[6], tampouco um coup de force interpretativo para fazer endossar à Mead a noção de “público” de Dewey, ausente em sua obra. Esse diálogo entre os dois autores visa examinar quais elementos da teoria social, moral e política pode-se extrapolar a partir de sua concepção da ação como “solução criadora de problemas por uma inteligência experimentadora”[7]. Fazendo isso, nós esperamos reforçar a concepção do “público” de Dewey dando, simultaneamente, extensão à teoria social de Mead.

Da tomada de consciência da perturbação à politização de uma situação problemática

“A vida torna-se consciente quando as próprias respostas do organismo entram no campo objetivo ao qual ele reage para dele fazer parte”[8]. Segundo Mead, o organismo é um componente de seu próprio ambiente. Ele seleciona alguns estímulos úteis, agradáveis ou benéficos aos quais ele novamente responderá em seus processos de seleção subsequente; e ele o faz coordenando-se com outros organismos na totalidade de um ato social[9]. A seleção de uma resposta é assegurada quando outras respostas possíveis são inibidas ou adiadas, a fim de permitir o ajuste e a integração de todas as respostas dos organismos envolvidos no ato social. É apenas quando uma conduta é impedida que a transação, que acontecia até aquele momento sem entraves entre o organismo e seu ambiente, é perturbada: o organismo é simultaneamente remetido, por um lado, a uma “determinação mais aguçada dos objetos que o estimulam”, e por outro, a uma consciência da natureza “subjetiva” ou “psíquica” de suas próprias reações[10]. A perturbação rompe com os hábitos da vida, com o curso das coisas ou com a tranquilidade dos costumes, ainda sem ser transformada em objeto de reflexão. Por exemplo, o medo de um vazamento radioativo em seu ambiente assombra os moradores de uma usina; as condições de trabalho são alteradas em uma empresa, e transformam sua economia moral; comportamentos de homens, antes tolerados, se tornam insuportáveis a um número crescente de mulheres; a multiplicação dos casos de crianças acometidas por envenenamento por chumbo indigna, inquieta e intriga os médicos. Quando uma situação ordinária atravessa essa crise, os participantes saem de seus regimes de conduta habitual e elaboram uma experiência reflexiva. Eles circunscrevem os elementos que os perturbam, se interrogam sobre suas causas e seus efeitos, se perguntam sobre suas atitudes respectivas à perturbação e examinam o significado social de seus atos de acordo com suas perspectivas. Eles discutem, eles refletem, eles se inquietam em voz alta, eles se informam, eles questionam, eles exprimem a opinião. A perturbação da experiência é convertida em um problema.

A perturbação pode ser configurada, pouco a pouco, em processos diádicos[11] de conversação, que tematizam a “experiência imediata” e fazem emergir uma “atitude cognitiva” em face daquilo que até então era tido como certo[12]. A mudança da “conduta” à “cognição” é o que conduz a “tomar consciência” de que alguma coisa é “problemática” e a “se informar a respeito” (find out) sobre aquilo que se passa. Essa “tomada de consciência” induz a uma nova experiência do ambiente, de si mesmo e do outro. A perturbação não é somente uma provação psíquica, vivida por um sujeito em sua intimidade. Ela se ancora na situação e transforma a totalidade dinâmica das transações que acompanham os seres vivos e seu ambiente[13]. Indeterminada, pré-subjetiva e pré-objetiva, a perturbação vai, de pouco em pouco, se especificando. Ela se configura e se individualiza no problema sobre o qual é possível haver uma apreensão prática, cognitiva e normativa; ela ganha uma significação geral sendo reenquadrada em relação às ideias, relacionada a precedentes, religada a causas, imputada a intenções. Ela se articula por meio de operações de simbolização, de categorização e de raciocínio, que fornecem ao organismo, que toma consciência de si mesmo, “um novo conjunto de objetos aos quais reagir, um novo campo de estimulação”[14]. Esse processo, na linguagem de Mead, implica uma mudança de perspectiva. Uma nova perspectiva vai se desenvolver, pelas perturbações de proximidade, por exemplo, na troca com “outros significativos[15]”, nas interações face a face, na troca de falas, na recepção de informações de fontes mais ou menos oficiais, ou em pequenas investigações conduzidas por alguns indivíduos. Porém, o ponto importante é que um processo social emerge e que é formada uma nova atividade coletiva, feita de processos de associação, de cooperação, e de comunicação, de discussão, de investigação e de experimentação, com o objetivo de definir e controlar a situação problemática. Essa atividade coletiva, orientada em torno de um objeto comum, é distribuída sobre certo número de lugares, de agentes e de objetos, integrados um ao outro numa totalidade; ela é implantada temporariamente, se auto-organiza enquanto se autorreflete, e transforma o ambiente do qual ela é parte interessada[16]; ela provoca, em certos casos, uma experiência pública, que é irredutível à soma das experiências dos Selves que a compõem e não dedutível da experiência social que vigorava antes da ocorrência da perturbação. Os participantes desse processo de publicização, a título de autores ou de espectadores, adotam, então, o ponto de vista deste Outro generalizado[17] que Dewey chama de “público”. A adoção da perspectiva do “público” é o que torna possível a esses membros de se distanciarem da situação problemática, de criticarem-na por meio de atos sociais de análise, de denúncia ou de reinvindicação, e de transformarem-na em um objeto de investigação, de interrogação e de intervenção. A constituição de um problema público não concerne apenas às pessoas diretamente afetadas e às suas vidas privadas, mas a todos os membros de uma comunidade política que se sentem indiretamente concernidos, compartilhando, a partir de então, a “consciência pública” do problema.

O processo social de avaliação de consequências nefastas de uma ação ou de um evento, que não só abala as pessoas diretamente afetadas, mas igualmente aqueles que não sofrem dano imediato ou não sofrem dos inconvenientes diretos, é o que Dewey qualifica como público. Pode-se identificar vários elementos nesse processo de politização. 1) A situação problemática é tornada pública, no sentido de ser visível sem restrições, por meio de operações de testemunho, de medida, de investigação, de experimentação ou de discussão: a perturbação, inicialmente não refletida, inconsciente porque autoevidente, mantida em segredo em nome de princípios normativos ou por conta de interesses particulares, ou vivida como reservada à esfera íntima ou privada, é levada à praça pública. 2) Essa situação problemática torna-se o foco de processos de investigação e de experimentação, mas também de dramatização e de argumentação: o público é uma atividade coletiva, centrada nas provações de descrição das circunstâncias, de atribuição de causas, de identificação de autores, de imputação de responsabilidades, de qualificação de danos, e assim por diante. Essas operações não são apenas estratégicas, mas elas envolvem concepções do bem público e do mal público. 3) A situação problemática atinge, desta forma, um grau suplementar de institucionalização. Assumida por coletivos, organizações e instituições, ela se torna um issue em tomadas de posições, num jogo de aproximações e de oposições, de alianças e de conflitos. Ela conduz ao estabelecimento de frentes de batalha onde as linhas de demarcação, os campos e os desafios se constituem no processo de publicização. 4) Como tal, a situação problemática, quando é reconhecida como uma questão pública, conduz, quase sempre, a uma interpelação dos poderes públicos, afim de que eles intervenham como juiz ou árbitro, investigador ou experimentador, mediador ou legislador, administrador, decisor ou policial. Pode-se ter como exemplo de constituição de um problema público a investigação social (social survey) sobre o setor da indústria da carne (stockyards), supervisionada por Mead e Henderson, entre 1909 e 1914, em Chicago, ou aquela, realizada em 1910, em nome dos Citizens’ Commitee, sobre a greve de trabalhadores na indústria de vestimentas[18]. Ou ainda, as pesquisas no âmbito do City Club of Chicago sobre o funcionamento das bibliotecas públicas ou das escolas municipais que foram seguidas de efeitos na ação pública.

Transformação das atitudes, dos hábitos e das crenças:  provações de si

Para Mead, esse processo social de “reforma da comunidade” tem consequências sobre a organização dos Selves que a compõem. A desorganização de qualquer um dos processos sociais que permitem, normalmente, um Self unificado de se manter integrado[19] conduz à sua “desintegração parcial”. A situação passa a ser problemática porque ela suscita um conflito entre diferentes impulsos, essas tendências a reagir de uma certa forma a um certo tipo de estímulo, sob determinadas condições[20]. O jogo de interações entre o Eu e o Mim[21], em uma tensão mediada pela relação com os outros, mais ou menos concretos ou abstratos, singulares ou típicos, ligados a objetos psíquicos ou sociais e sob a influência de um Outro generalizado, é transformado. O desenvolvimento social e moral dos Selves envolvidos pode ser afetado[22]. Como tematizar as consequências sobre a experiência do Self da constituição de um problema público? Este último toma forma em uma arena pública onde irão provar-se e medir-se, formular-se e estabilizar-se novas perspectivas, novos interesses e novas opiniões. Ele se reflete em um “fórum de reflexão[23]”, onde o Eu entre em conflito com o Mim e se toma como seu próprio objeto, busca novas “respostas ajustadas” à situação, por excitação e inibição de certos impulsos, reorganiza seu campo de percepção e de ação, adotando novas crenças, atitudes[24] e hábitos[25]. O processo de publicização se traduz, portanto, na transformação de si mesmo. Pode-se dizer que, no público, o Self se envolve em um novo processo de socialização específico, quando se alinha com outros papéis e adota outras perspectivas, adquirindo novas capacidades, aprendendo outras regras, dominando outras habilidades e aderindo a outras crenças. Ao fazê-lo, padrões regulares de resposta a determinados conjuntos de estímulos se estabelecem nesta transação entre o Self, os outros e seu ambiente: novos campos de significados se formam e transformam as atitudes do Self em relação aos atos sociais em que estão envolvidos. Todas as dimensões da experiência do Self podem ser afetadas quando são abalados os seus “atos completos” ou “integrados”, que associam emoção, condução e pensamento[26]. Fenômenos genuínos de “conversão” podem, portanto, ocorrer: além da aprendizagem do que C W. Mills chamava de “vocabulários de motivos[27]”, o Self é levado a uma reorientação de seus impulsos, desejos e interesses em direção aos novos “outros significativos” e assume as atitudes de um novo “Outro generalizado[28]”. Mas essa conversão é em geral limitada. Ela não é necessariamente uma mudança total de uma “visão do mundo” e de uma “forma de vida”. Por exemplo, a mudança do Self pode concernir, com dificuldade, uma atitude perceptiva e apreciativa, orientada em direção a um objeto particular (uma aversão ao excesso de consumo de carne). Pode-se traduzir por uma reformulação mais radical de um registro circunscrito de práticas, que não é reivindicada como tal, se não frente a frente a certos auditórios (a inibição do impulso de comer carne e o abandono puro e simples de seu consumo, acompanhados de uma análise das consequências ecológicas do crescimento das dietas carnívoras). Além disso, pode levar a uma verdadeira revolução existencial: o endosso da perspectiva dos bois, das ovelhas e das galinhas como seres vivos e sensíveis, portadores de direitos, conduz a participação a um público vegetariano ou vegano. A mudança se repercute na transformação de outros hábitos de consumo, por meio da adoção de um quadro de referência ecológico; e ela pode, ainda, expandir-se para o envolvimento em novas redes sociais ou organizações militantes, o engajamento em novas formas de ativismo e proselitismo.

O público tem um poder de emancipação. Ele gera capacidades de ver, de fazer, de dizer ou de pensar de outra maneira. Ele transforma as transações de um ser vivo, com outros (mais ou menos significativos) e com objetos (psíquicos e sociais), em suma, com seu ambiente e, em troca, consigo mesmo. O público abre novas possibilidades de experiência e de ação, submetendo o Self a provas que o fazem se assumir como um dos fatores da situação problemática: o fato de ser uma mulher espancada, um consumidor de energia nuclear, um residente de uma área intercultural ou um trabalhador em uma indústria danificada se torna uma fonte de interrogação. Os Selves podem se envolver em diferentes modalidades de autorreflexão, e atravessar fases de investigação sobre si mesmo, de experimentação de si mesmo e de deliberação consigo mesmo. Investigação sobre si mesmo: eles podem buscar melhor se conhecer, questionar seus desejos e interesses, investigar suas trajetórias biográficas para elaborar sua experiência de ser “mulher” ou “negro”, informar-se sobre tipos alternativos de hábitos ou de alimentação, projetá-los na imaginação ou passar à ação. Experimentação de si mesmo: eles podem se colocar à prova, testando-se em novas situações, envolvendo-se em novos coletivos de trabalho, de lazer, de propriedade, de vizinhança, de consumo ou de sexualidade. Eles experimentam outras formas de vida e avaliam as consequências que estes novos ambientes têm sobre eles. Deliberação consigo mesmo: eles podem, enfim, se envolver em um diálogo com seus Selves (Quem sou eu? O que é que eu faço? Para onde estou indo?), examinar a desejabilidade dos lugares que eles ocupam e refletir sobre suas expectativas de reconhecimento e de realização de si mesmo, tanto em condutas observáveis quanto em conversas íntimas[29]. Essas provas reflexivas do Self redobram o trabalho de discussão, de investigação e de experimentação com os outros, por exemplo, em grupos de conscientização de feministas ou em conselhos de cooperativas de trabalhadores, em associações de luta contra o racismo e a xenofobia ou contra a exploração da energia nuclear. Além disso, o processo de publicização pode criar ambientes de apoio a mulheres em situação de crise, circuitos alternativos de produção e distribuição, sistemas de regras jurídicas e de decisões judiciais, redes de informação e de debate público na internet. A provação de si mesmo é indissociavelmente uma prova interativa e inter-objetiva.

A estrutura ternária do público: o Outro generalizado, a comunicação e a cooperação

As provações de si mesmo não são somente processos psíquicos – uma “redescoberta da subjetividade”, como frequentemente se lê a respeito de novos movimentos sociais. O que está em jogo, na constituição de um problema público, é uma mudança de perspectiva: em torno de uma determinada questão, o público substitui a comunidade organizada que até então fazia as vezes do Outro generalizado. O que foi chamado, na sociologia de Chicago, de “controle social”[30] corresponde para Mead[31] à dialética do Eu e do Mim, que se desdobra na do Self e de seus outros, objetos psíquicos ou objetos sociais. “O controle social sobre o indivíduo reside no processo comum que diferencia o indivíduo em sua função particular enquanto ele controla, ao mesmo tempo, sua resposta”[32]. Ele integra os indivíduos em processos de ajustamento social, que passam tanto pela orientação das instituições quanto pela participação nas interações. O controle social se exerce, de acordo com Cooley, Park ou Blumer pela ação dos costumes, da tradição ou do direito, ou em formas de comportamento coletivo como a moda, o rumor ou a opinião. Durante muito tempo, o mecanismo de controle social, quando não imposto pelas instituições, mas difundido pelas interações, foi concebido a partir de esquemas de imitação, da insinuação, senão da hipnose. A reflexão sobre o público permitiu soltar as amarras da psicologia das multidões: a conversação em Tarde, a discussão em Park e a comunicação em Dewey rompem, em diferentes níveis, com a noção da imitação[33]. Para Mead, o controle social começa pela conversação: a conversação de gestos, como um mecanismo de ajuste mútuo e de adoção da atitude de outro, torna-se a conversa por símbolos significativos “quando eles provocam implicitamente no indivíduo que os realiza a mesma resposta que eles provocam explicitamente – ou supostamente provocam – para aqueles à que eles se dirigem[34]”. A interação mediada por esses símbolos significativos, em um processo de experiência, de cooperação e de comunicação, é o que permite a gênese da sociedade, da mente e do Self. Para dizer de outra maneira, os símbolos significativos, em primeiro lugar a linguagem, articulam contextos de experiência comum ou partilhada: os humanos experimentam situações em relação às quais eles se sentem concernidos, não por simples reação a estímulos como os gestos vocais, mas por estarem previamente jogados e projetarem-se em um “campo de significados”[35]. Mead descreve a estrutura ternária do “processo social” nesse campo de significados: os participantes em uma interação simbólica, para retomar o termo consagrado por Blumer[36], assumem a perspectiva uns dos outros – seja para simplesmente se coordenar, seja para incorporá-la à sua própria perspectiva ou, de outras formas, para compreendê-la, discuti-la, interrogá-la, interpretá-la, criticá-la, rejeitá-la… Ao responder uns aos outros, eles também assumem a atitude do Outro generalizado: eles partilham o ponto de vista da comunidade organizada da qual eles participam, que eles confirmam e revivem por meio de suas interações. T. Shibutani acrescenta que eles vivem em um mesmo mundo social[37]. Eles têm acesso a uma mesma realidade, envolvem-se em atividades organizadas (que são indissociáveis de processos de associação, cooperação e de comunicação) e partilham de perspectivas comuns (as quais, quando suficientemente integradas, estabilizadas e difundidas, são qualificados como “cultura”).

Dewey não diz outra coisa quando ele vincula o advento da consciência de si e da consciência de outrem, não com a existência de sujeitos preexistentes, com seus “estados psíquicos”, mas com processos sociais, mais ou menos complexos, de cooperação e de comunicação[38], que fazem “nascer novos objetos na situação social”[39]. Em um público, como em qualquer outra situação social, alguém fala de algo com alguém fazendo algo com alguém. O significado desse “algo” se dá em uma experiência social: ela é indicada a terceiros, mostrando aos que dão a indicação, representando-a, simbolizando-a, e transformando-a[40]. O significado desse “algo” está nesse mesmo “algo”, se ela emerge à prova de nossos sentidos, de nossos atos e de nossos discursos[41]. A situação problemática não é, com exceção dos casos de delírio coletivo que ordinariamente não passam pelo teste da realidade, uma invenção daqueles que a ela se referem. Ela se constitui temporalmente no “contato” com uma atividade coletiva à qual ela “resiste”[42] – sem que se possa afirmar a anterioridade ou exterioridade dos atos sociais que a visam, ou sem que se possa reduzi-la a uma projeção hipotética que colocaria em ordem a diversidade amorfa do sensível. A situação problemática não é, então, mais uma “construção da realidade social” do que uma “disfunção do sistema social”. Ela se dá na associação cooperativa e comunicativa de múltiplos corpos, olhos e mãos, equipados de instituições, de ferramentas e de símbolos em transação com as coisas, as ações e os eventos que se dão a eles em seu ambiente. Ela se orienta em universos de discursos[43], que guiam de antemão o fluxo da atenção pública e que pré-desenham um horizonte daquilo que é possível dizer, e, então, ver e entender. O ponto de vista de Mead e de Dewey permitem escapar da antinomia do funcionalismo e do construtivismo que perpassa a sociologia dos problemas públicos. O público pode ser descrito, metaforicamente, como um mega-organismo, cuja forma, limites e objetivos não cessam de se temporalizar no curso das miríades de atividades coletivas que o compõem em relação a seus ambientes. O público seleciona, organiza e define um campo de significados enquanto este a ele resiste. Ele não se encontra encapsulado em um posto de controle, com um espírito público nos comandos, mas distribuído em arranjos de objetos psíquicos e sociais em interação uns com os outros, recompostos por agenciamentos de “símbolos linguísticos”. Se ampliarmos o argumento de “The Physical Thing”, os membros do público assumem as perspectivas ou desempenham os papéis complexos de objetos, atos e eventos que colocam problemas[44]. Porém, eles só entendem a natureza problemática da situação quando estão expostas a ela, suportando-a e sofrendo-a.[45] Eles não só chegam a definir um problema público no curso temporal das investigações e das experimentações por meio das quais eles experimentam-no, se acomodam a ele, assimilam-no e refletem-no. O público é mais o produto de um problema público do que o problema público a criatura do público. As perspectivas da experiência pública têm uma “realidade objetiva[46]” e são “perspectivas sociais” – “objetiva” e “social”, no sentido de Mead.

Mudança de perspectiva, associação e socialização

 No público se produz o que se pode qualificar, na linguagem atual de análise de redes, como a dissociação do Self de seus papéis, relacionados a uma desconexão de pessoas de seus grupos, redes e organizações de referência e à sua reconexão em novas configurações de relações, interações e interlocuções. O público é um processo de as-sociação, e, portanto, de dis-sociação e de re-sociação. Dito de outra maneira, o trabalho de definição e de domínio da situação problemática remodela os sociogramas de relações interpessoais, no mesmo movimento em que ele constitui um novo campo de significados, com novos objetos que ele precisa controlar ou eliminar, aos quais ele deve se ajustar ou se habituar ou na direção dos quais ele deve se projetar ao fabricá-los. O Self se socializa nesse processo social[47]. O processo de publicização é uma espécie de processo de socialização. Quando se fala em socialização, referimo-nos ao processo de vida (life process) de organismos vivos (living forms) que, levando-os a selecionar novos objetivos, recursos, instrumentos, organizações, envolve-os em novas relações de coordenação e de comunicação, de cooperação e de competição, o que os impulsiona a se reconstruírem, a refazerem seu ambiente e a refazerem a sua sociedade. Assim, os Selves se socializam assumindo e adotando mutuamente as atitudes uns dos outros e se alinhando a novos padrões de experiência social que emergem; eles socializam seu ambiente tornando-se conscientes de si mesmos e dos objetos psíquicos e sociais com os quais se deparam e integrando-os a seus atos sociais. Em momentos de crise, a partir dos quais o público nasce, esse processo de socialização parece se acelerar e tomar uma direção mais reflexiva ainda. Os membros do público saem de suas rotinas da vida social – o jogo social como um “jogo regulamentado” (game) em que eles geralmente são tomados – e se põem a jogar uma espécie de “jogo livre[48]” (play), em que vão inventar o que está em disputa, os papeis e as regras, os ganhos e as promessas. Eles reconfiguram o controle social pelo qual os atos de cada um são determinados pelas atitudes de todos os que participam do jogo em curso nesse mundo social, nessa organização ou nessa instituição. No processo de publicização, as pessoas não são, momentaneamente, mais obrigadas pelos personagens estabelecidos: ainda instáveis, hesitantes, em busca de si, eles podem se inventar em outros eus, testar máscaras, mudar de regras, escolher alternativas nos pontos de bifurcação, colocar em questão as crenças até então intocáveis. Os horizontes de expectativas cognitivos e normativos, que regulam as interações entre os atores e entre os atores e seus espectadores, estão em construção, movidos de acordo com as provas que eles atravessam: o público se desenvolve frustrando as expectativas e criando a surpresa. São estes momentos de grande carga emocional[49], de tonalidades afetivas festivas, de excitação de ideias e de excesso de paixões que caracterizam fases de mobilização coletiva e que podem acabar mal… O levantamento de certas convenções é acompanhado de momentos de júbilo ou de angústia diante da incerteza do futuro. O Eu se liberta dos Mim(s), autorizados ou sancionados socialmente, que o retinham. São adotados novos modos de apresentação de si, modos inéditos de se exprimir e de se dirigir a seus pares e aos auditórios, destacando-se de suas características estatutárias em grupos primários e secundários. Ele descobre novas preocupações, explora experiências sensíveis, intelectuais e, por vezes, espirituais, remodela o gráfico de suas afinidades e de suas repulsõese ganha interesse pela coisa pública, que geralmente era indiferente para ele. Essas variações de si não são, certamente, solitárias, nem desencarnadas, nem a-simbólicas, nem a-objetivas. O desenvolvimento de novos “idiomas pessoais”[50] é a contrapartida do processo de desorganização e de reorganização social[51] que, quebrando um consenso cognitivo e normativo, contribui para o surgimento de novos “universos de discursos”[52], indissociáveis de “complexos” de objetos e de atividades[53]. O público institui um novo campo de significados que nós podemos chamar, em um termo genérico, de “cultura pública”[54].

Essa espécie de comunidade política se auto-organiza e se autorreflete e toma consciência dela mesma no próprio processo de sua construção, segundo Dewey. Com o foco em uma situação problemática e no desenvolvimento de uma conduta inteligente, não poderíamos dizer que existe algo como um “Nós” (equivalente funcional do “Eu”) que emerge? Um élan de “simpatia”[55] pode surgir entre pessoas que adotam a atitude umas das outras: suas preocupações se alinham umas com as outras e elas experimentam em si mesmas os sentimentos que elas despertam nos outros. Esse sentimento de compaixão aumenta o sentimento de co-participação nas atividades coletivas de investigação, de experimentação ou de deliberação, e também aumenta o sentimento de reconhecimento mútuo. O processo de publicização de um “Nós” se faz rompendo com a sociedade solidificada, com suas hierarquias estabelecidas e com suas realidades compartilhadas. O “Nós”, no nexo atormentado de transações que compõem o público, é portador de potencialidades que o transcendem. Ele abre caminho para um futuro inédito. Ele libera, para o melhor ou pior, as energias individuais e coletivas, projeta formas cognitivas e normativas. Esse “Nós”, não inteligível no momento em que a ação coletiva se realiza, pode ser reavaliado posteriormente, tanto por seus participantes quanto pelos seus observadores, como um “Nós” dotado de uma identidade coletiva (equivalente funcional do “Mim”). O público, ao reorganizar as ecologias materiais que o condicionam, representando-se e simbolizando-se em uma memória coletiva, articula as categorias, as imagens e os símbolos de uma experiência coletiva do passado. Ele se projeta em direção a bens públicos, fins desejáveis, “à vista”, que se perfilam à medida que se desenvolvem suas atividades, abrindo em seu rastro um mundo de hábitos e memórias, que o ancoram no passado.

Notas e Bibliografia:

[1] Sociólogo, professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris e pesquisador do Centre d’Étude des Mouvements Sociaux (CEMS-EHESS). O autor agradece muito Luana Martins e Diogo Corrêa pelo trabalho de tradução e ediçao.

[2] Mestra em Ciências Sociais e Jurídicas pela Universidade Federal Fluminense, Niterói.

[3] William I. Thomas e Dorothy S. Thomas, The Child in America, New York, Alfred Knopf, 1928, p. 573.

[4] John Dewey, Logic: Theory of Inquiry, New York, Henry Holt, 1938.

[5] John Dewey, The Public and Its Problems, New York, Henry Holt, 1927.

[6] Hans Joas, Pragmatism and Social Theory, Chicago, University of Chicago Press, 1993, e em particular em “The Creativity of Action and the Intersubjectivity of Reason”, p. 238-259.

[7] H. Joas, Pragmatism and Social Theory, op. cit. p. 248 e The Creativity of Action, Chicago, The University of Chicago Press,1992.

[8] George H. Mead, The Philosophy of the Present, editado por A. E. Murphy, La Salle, Open Court Pub., 1932, p. 95.

[9] “Pode-se definir ‘ato social’ um ato para o qual a ocasião ou o estímulo que libere o impulso em um indivíduo se encontre nas propriedades ou nas condutas de outro indivíduo, que faz parte de seu ambiente. Nós queremos, no entanto, limitar o ato social à classe de atos que requerem a cooperação de mais de um indivíduo, e cujo objeto conforme definido pelo ato, no sentido de Bergson, é um objeto social. Por ‘objeto social’, nós entendemos um objeto que corresponde a todas as partes de um ato complexo, embora essas partes se encontrem na conduta de diferentes indivíduos. O objetivo dos atos se situa, então, no processo vital de um grupo, e não apenas em indivíduos tomados um a um.”, (G. H. Mead, “The Genesis of the Self and Social Control”. International Journal of Ethics, vol. 35, 1925, p. 263-264). Uma tradução francesa desse texto é disponível em G. H. Mead, L’Esprit, le soi, la société, [1934], tradução e apresentação de D. Cefaï e L. Quéré, Paris, PUF, 2006, p. 406-428.

[10] G. H. Mead, “The Definition of the Psychical”, Decennial Publications of the University of Chicago, First Series, vol. 3, Chicago, 1903, p. 77-112; “Social Consciousness and the Consciousness of Meaning”, Psychological Bulletin, vol. 7, 1903, p. 397-405.

[11] “Diádico” – adjetivo derivado da “Dyade” de Georg Simmel – outras interações são “triádicas”, como vamos ver.

[12] G. H. Mead, “The Genesis of the Self and Social Control”, International Journal of Ethics, vol. 35, 1924–25, p. 251-277. Em “The Philosophies of Royce, James and Dewey in their American Setting”, International Journal of Ethics, vol. 40, 1930, p. 211-231, em particular p. 229, Mead traça o percurso da perspectiva do conhecimento de laboratório de Peirce, em Essays in Experimental Logic, Chicago, University of Chicago, 1916 de Dewey, precisamente em Experience and Nature, Chicago e London, Open Court, 1925, onde realiza o “paralelismo entre a análise do ato moral e do ato cognitivo”.

[13] Sobre a situação problemática, vista por G. H. Mead: Cf. The Philosophy of the Act, editado por C. W. Morris et al., Chicago, University of Chicago Press, 1938, p. 6-8.

[14] G. H. Mead, MSS, p. 348.

[15] Esses outros são “significativos” porque eles são “pertinentes” no processo em curso, e não somente porque eles importam no percurso biográfico de uma pessoa ou porque eles dispõem de uma autorização ou de um prestígio social.

[16] Mary P. Follett, The New State : Group Organisation, the Solution of Popular Government, New York, Longmans, Green and Co 1918 e Creative Experience, New York, Longmans, Green and Co, 1924.

[17] Cf. a seção “Play, the Game, and the Generalized Other”, em G. H. Mead, MSS, p.  152-164.

[18] Steven J. Diner, A City and its Universities: Public Policy in Chicago 1892-1919, Chapel Hill, University of North Carolina Press, 1980.

[19] G. H. Mead, MSS, p. 144.

[20] G. H. Mead, “Review of W. McDougall, An Introduction to Social Psychology”, in Psychological Bulletin, vol. 5, 1908, p. 385-391. Ver igualmente MSS, p. 303 e seguintes]: “As mudanças que nós produzimos na ordem social na qual estamos envolvidos implica necessariamente que nós também nos modifiquemos a nós mesmos. Os conflitos sociais entre os membros de uma sociedade humana que necessitam, para que os eliminem, da reconstrução ou da modificação consciente ou inteligente dessa sociedade, exigem o equivalente em sua constituição de si mesmo ou da personalidade de seus próprios membros”.

[21] G. H. Mead, “The Social Self”, Journal of Philosophy, Psychology, and Scientific Methods, 1913, 10, p. 374-380. Do original, “I” e “Me”. O vocábulo “Me” não apresenta uma correspondência direta no português, mas se aproxima semanticamente do “mim”. (N.T.)

[22] Axel Honneth, “Reconnaissance et socialisation. G. H. Mead et la transformation naturaliste de l’idée hégélienne”, in La lutte pour la reconnaissance [1992], Paris, Cerf, 2002, cap. IV; et Jürgen Habermas, “L’individuation par la socialisation. La théorie de la subjectivité de G. H. Mead”, in La pensée postmétaphysique [1988], Paris, Colin, 1997.

[23] G. H. Mead, “The Social Self”, op. cit., p. 379.

[24] “Todas as atitudes estão na disposição das pessoas, como formas de condutas que esperam pela situação apropriada para ativá-las”, (G. H. Mead, “A Pragmatic Theory of Truth”, Studies in the Nature of Truth, University of California Publications in Philosophy, vol. 11, 1929, p. 65-88, aqui p. 80).

[25] G. H. Mead, MSS, p. 126, p. 163 e p. 343, e John Dewey, Human Nature and Conduct, New York, Henry Holt and Company, 1922.

[26] J. Dewey, “George Herbert Mead as I Knew Him”, Journal of Philosophy, 28, 1931, p. 309-331, que se pode colocar em relação a G. H. Mead, “The Philosophy of John Dewey”, International Journal of Ethics, vol. 46, 1, 1935, p. 64-81.

[27] C. W. Mills, “Situated Actions and Vocabularies of Motive”, in American Sociological Review, vol. 13, nº 5, 1940, p. 904-909.

[28] Ralph Turner, “Role-Taking, Role Standpoint, and Reference Group Behavior”, American Journal of Sociology, vol. 61, 4, 1956, p. 316-328.

[29] G. H. Mead, MSS, p. 179.

[30] Robert E. Park e Ernest W. Burgess, Introduction to the Science of Sociology, Chicago, University of Chicago Press, 1921.

[31] G. H. Mead, MSS, p. 210-211, p. 255 e p. 270.

[32] Ibid., p. 270.

[33] Mead critica os limites de Wundt (MSS, p. 51-60). Ele critica Dewey, em outro momento, em um texto não publicado, por ter retomado o esquema de imitação para explicar sobre o aprendizado das crianças: G. H. Mead, “George Herbert Mead: An Unpublished Essay Review of Dewey’s Human Nature and Conduct”, editado por G. A. Cook, Journal of the History of the Behavioral Sciences, vol. 30, 1994, p. 374-379.

[34] G. H. Mead, MSS, p. 47.

[35] G. H. Mead, MSS, p. 76, D. Miller, George Herbert Mead: Self, Language, and the World, Austin e London, University of Texas Press, 1973.

[36] Herbert Blumer, “Society as Symbolic Interaction”, in A. Rose (sob a direção de), Human Behavior and Social Processes: An Interactionist Approach, Boston, Houghton-Mifflin, 1962, p. 169-192.

[37] Tamotsu Shibutani, Social Processes, Berkeley, University of California Press, 1986, p 109-117.

[38] J. Dewey, Experience and Nature, Chicago, Open Court, 1925, cáp. V.

[39] G. H. Mead, MSS, p. 78.

[40] Ibid., p89.

[41] G. H. Mead, “The Philosophy of John Dewey”, op. cit., em particular p. 78-79.

[42] H. Joas, George Herbert Mead: A Contemporary Re-Examination of His Thought, Cambridge, Mass., The MIT Press, cap. 7, 2007 [1980].

[43] G. H. Mead, Movements of Thought in the Nineteenth Century, editado por M. H. Moore, Chicago, University of Chicago, 1936, cáp. 16, p. 380.

[44] G. H. Mead, “The Physical Thing”, in Philosophy of the Present, op. cit., p. 119-139.

[45] J. Dewey, Art as Experience, New York, Minton, Balch & Company, 1934. Ver também G. H. Mead, “The Nature of Aesthetic Experience”, International Journal of Ethics, vol. 36, 1925-26, p. 382- 393. T. M. Alexander, John Dewey’s Theory of Art, Experience and Nature: The Horizons of Feeling, Albany, State University of New York Press, 1987.

[46] G. H. Mead, “The Objective Reality of Perspectives”, in E. S. Brightman (sob a direção de), Proceedings of the Sixth International Congress of Philosophy, New York, Longmans, Green, and Co, 1926, p. 75-85.

[47] Toda uma psicologia social, inspirada em Cooley, Mead e Dewey essencialmente, desenvolveu-se nos Estados Unidos: Alfred R. Lindesmith, Anselm L. Strauss, Social Psychology, New York, Holt, Rinehart, and Winston, 1968 (3e édition); T. Shibutani, Society and Personality: An Interactionist Approach to Social Psychology, Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1961; Gregory Stone, Harvey A. Faberman (sob a direção de), Social Psychology Through Symbolic Interaction, Waltham et Toronto, Xerox College Pub., 1970.

[48] Nós poderíamos retomar a ideia de “reflective role-taking” de Mead o de “looking glass effect” de Charles H. Cooley, Human Nature and the Social Order, New York, Charles Scribner’s Sons, 1922, p. 184.

[49] G. H. Mead, MSS, p. 219.

[50] T. Shibutani, Society and Personality: An Interactionist Approach to Social Psychology. op. cit., cap. 16.

[51] W. I. Thomas, F. Znaniecki, The Polish Peasant, vol. 4, Boston, Badger, 1920.

[52] Mead os definiu como “sistemas de significações comuns ou sociais”, “contexto de sentidos de gestos ou de símbolos”, “constituído por um grupo de indivíduos que realizam um mundo comum, via um processo social de experiência e comportamento” (G. H. Mead. MSS, p. 89-90 et p. 269). Esse conceito é recorrente na obra de Robert E. Park.

[53] Herbert Blumer, “Objects”, in George Herbert Mead and Human Conduct (T. Morrione, ed.), Walnut Creek, Altamira Press, 2004, p. 39-55, aqui p. 41.

[54] Joseph Gusfield, The Culture of Public Problems. Drinking-Driving and the Symbolic Order, Chicago, University of Chicago Press, 1981 (existe uma tradução em francês de D. Cefaï, La culture des problèmes publics, Paris, Economica, 2007). A cultura pública é uma perspectiva comum, tida como certa, que comanda a percepção do que é a ordem pública e que é transformada pelo surgimento de novos problemas públicos.

[55] G. H. Mead, MSS, p. 299.